quarta-feira, 15 de junho de 2011

Falando sério

Fui sequestrada. Apaixonei-me perdidamente.
 Seu jeitinho de falar ao pé do meu ouvido,arrepia-me.
 Lentamente me agito com o toque dos seus lábios.
 O doce mel de um beijo apimentado. E como !

 Aprisionada sem ter medo, sem ter pressa.
 Pertinho de um sequestrador ,me sentia protegida.
 Fui aos poucos descobrindo de qual mal sofria,
 E então deparei-me com a Síndrome de Estocolmo.
  
Nada pude evitar e tão pouco, não queria.
 Entreguei-me por inteira para um homem cativante.
 Eu fui pega. Sem correntes, sem prisões.

Nesse quarto escurinho, onde vivo encarcerada,
Eu procuro nos minutos, muitas horas de pavor.
E te digo meu amor, só nos temos por prazer.

Silvia Dunley. 09.06.2011.

Cadê você?



Diga-me moço, como te achar?
Caminhadas longas, procuras incertas,
Obscuras estradas e muitos atalhos,
Pisadas doídas em solo de pedras.

Vi o sol se pôr, vi o luar encabular,
Ao topo subi, ao acaso não dei caso.
Fui ao encontro do encanto, nessa febre de te amar.
Descobri essa força, recupero as vitórias.

Eu te achei bem no fundo do meu eu!
Quietinho, escondido parecias assustado,
Andarilho desta vida, não pousa nem repousa.

Um tantão de carinhos por um tantinho de minutos.
Não apague essa luz, eu preciso que me enxergues,
Jogue fora suas histórias, mas me tenhas no rascunho.

Silvia Dunley,     10/04/2010

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A arte de amar




Aqueço tua alma nas horas mais frias,
Cavalgo teu corpo com pompa amazona,
Sacio tua sede com beijos em vinhos,
Detento tua fúria em suaves carinhos.

Afago esse peito com boas malícias,
Desnudo vontades de um homem machista,
Fisgo esse moço perdido na carne,
Freio seus ímpetos com força e coragem.

Busco seu cheiro na pele que queima,
Perco os sentidos nos vôos que fazemos,
Surgem magias deixadas em nós.

Agrido com arte esse corpo tão másculo,
Descobres em mim detalhes mais íntimos,
Atritam-se os corpos cobertos de amor.


Silvia Dunley 16.05.2011



segunda-feira, 9 de maio de 2011

A outra metade


Reclinei minha cabeça sob a dor que atormentava,
São saudades de você que furtavam minha alma.
Tu voastes para as estrelas e contigo, minha essência.
Hoje piso vagarosa, sem ter pressa, sem ter hora.
                                                                                                 
Minha face se desfaz, mas contenho minhas lágrimas,
Nem a cor não é mais púrpura, é apenas acinzentada.
Sobrevivo ao flagelo de uma ausência tão presente,
Tu roubastes a minha paz e sequestrastes as alegrias.

Toda flor me lembra a ti, todo verso me transporta.
Eu te tenho nas manhãs e adormeço em teus braços,
Esse amor eternizou-se quando Deus te raptou.

À deriva eu fiquei e perdi-me nessa busca.
Nesse solo sem firmeza, meu caminho descaminha,
Como posso ainda estar viva, se morri junto contigo?!

Silvia Dunley,    09/05/2011 

Em suas mãos

Teu calar  fere a alma. Mil caquinhos se espalham,
Chegadas com partidas. Começos com tropeços.
Encontrei teu esconderijo. São fantasmas de um fraco.
É uma faca de dois gumes! Eu estou em suas mãos.

Seu reflexo distorcido, mil imagens odiadas.
Eis um astro apagado. Sorumbático viver.
Um acerto entre erros. Teu caminho , uma cilada.
Tentativas todas. Tu duvidas deste amor.

Íntimo tímido. Você berra em sussurros.
Permita-me te amar. Oculto seus receios.
Te afago, te acalmo.Te embalo nesse embalo.

Tantos gritos de prazer. Essas chamas reacendem.
Sequiosos com pudor, nossa entrega não dá trégua.
Devagar nos descobrimos, o sabor de nossos corpos.

Silvia Dunley,    31-01-2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Na hora H



Afogados em desejos e medos, vencemos.
O amor mais puro se estendeu na penumbra.
A escolha fora de ambos, sem direitos, sem temores.
Sem ter tempo para erros nós chegamos aos acertos.

Palavras mil. Vontades descontroladas, carícias borbulham.
Renascemos com forças, desafios vencidos de pele a pele.
Nos encontramos num  repente e de repente chegamos ao topo.
Acordamos tal qual adolescentes; tão moços, tão grandes.

Vi o tempo passar, mas todas as marcas se foram ao léu.
Foi você, meu coronel, conseguiu me cativar e delírios ousamos.
Fico tensa quando amamos, mas tu aparas minhas garras.

Concordando com meu eu, eu te quero pra caramba.
Moço, to falando pra você: Minhas curvas são só suas.
Enlouqueço o teu mundo, mas me embriago em seus braços.

Silvia Dunley        15.03.2011

Entrega




Sob a luz do castiçal, a nudez resplandece.

Atrevidas nossas mãos, faz-nos cega de prazer,
Nosso toque magistral descortina um cavalgar.
O seu dorso suntuoso... impera o bicho homem.

Sua língua bem felina faz contorno no meu corpo,
Delicio esse momento como gata no seu cio.
Sua voz sussurra gozos, eu divido com você,
Revivemos esses momentos com intensa ingenuidade.

Este homem bem guloso, safa a fome aos pouquinhos.
Tens o leme desse barco, tens o dote dessa dama,
Purifica o meu corpo, alicia meu pecado.

Que loucura, meu amor! Essa alcova exala amor.
Essa troca de carícias alimenta dois amantes,
Copulamos em frenesi, dou-me inteira pra você.

Silvia Dunley,          04.01.2011

Diamante bruto


Temerosa afastei-me. Prontamente agucei-me, 
Assumi grandes monstros nesse mundo incolor.
Trancadas as portas, tremidas tramelas.
Dormi no breu. Guardei-me na vigília.

Vivi junto ao Forte... balas de festim.
Janelas empenadas, fantasmas à vista.
Contei, sem conter-me, os enigmas da mente,
Feria-me a alma, um Déspota havia.

São fatos de fato. Nada a temer
Cobiças certeiras num vácuo perdido.
Lapsos injustos num tempo só meu.

Teu nome ressoa no fundo da gruta.
Lapido com arte esse bruto diamante.
Garimpo na mina, o homem que amo.

Silvia Dunley,         13.01.2011