quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Amor Boêmio


Sentamos ao banco sob íntimos olhares.

Suas mãos macias tocaram minha pele.

Nossas bocas molhadas detinham prazer.

Aos poucos te vi roubando meus ais.

 

Menino homem, boêmio da vida.

De amores em portos aos cais dos caus.

Que vive da noite e amanhece nos bares.

Se deita nos leitos rifados no peito.

 

Quem cura teus porres das mágoas da alma?

Quem vive esmolando esse amor tão bandido?

Como deter-me num porto inseguro?

 

Não temo as lágrimas, mas sim tantas idas.

O tempo nos leva aos gritos arfantes.

Me entrego tão cega nas sombras das sobras.

 

Silvia Dunley     04.08.2012
 

terça-feira, 2 de outubro de 2012


Alma de poeta


Ele tem a experiência em murmurar
De enfatizar cada palavra em silêncio
Destemido que possam rir de suas linhas
Dos textos nascidos dos devaneios poetas

Cigarros entre os dedos lêem rabiscos seus
Mais um copo de vodca e depois de vinho
Um gesto simples pra ocupar as mãos e os olhos
De alma borbulhante, o poeta respira poesia

Adormece com a pena e flutua em palavras
Descobre o manto que cobre os amantes
Perdoa os casos que ficaram ao acaso

Analisam o mundo de um jeito jocoso
Creditam saudades escritas em rimas
Debulham suas lágrimas em noites de versos


Silvia Dunley     17.07.2012

Violetas pra mim




Tentei pensar em uma canção pra cantar
Um poema para escrever e declamar
Mas todas as palavras estavam presas

Congeladas como pedaços de gelos

Tentei ter os assoalhos do crânio limpos
Com todos os monstrinhos trancados num baú
Detalhei muitas horas as trincheiras cavadas
E desci por escadas estreitas sem corrimões

Ziguezagueando a vida resgatou-me sem pressa
E este coração pulsante não mais quis se calar
Fui aos poucos traçando minha alma por rabiscos

Sei que fiz confidências ao meu bloco de papel
Que desertei das dores pois cansei de guerrear
Que existe um alguém, em algum lugar com violetas pra mim


                                                           Silvia Dunley      02.07.2012


Ninho vazio



O Céu me serve de manto aquecendo-me
Observo a revoada deste meigo beija-flor               
Navego em emoção como bolha de sabão
Entre brilhos de estrelas a piscar acalanto

Não houve tamanho carinho igual ao seu
Não sinto da vida tão avermelhada paixão
Nem bocas úmidas sussurrando belas juras
Que rosas existem e espinhos se calam

Mas o vento sopra forte e meu ninho vem ao chão
Sinto algo diferente nos meus sonhos pertinentes
É um eterno vai e vem a procura de você

Gostaria de sentir arrepios dos lábios beijados
Sem sossego, peço arrego a essa louca paixão
Onde fomos um só corpo ao compasso amar

Silvia Dunley     28.06.2012

Magia pura


Que feitiço tão voraz tu fizestes para mim
Conto as horas e os minutos pra ouvir sua voz
Me entrego por inteira mas eu volto aos pedaços

Minhas carnes tremulantes marcam horas decisivas

Já não vivo sem teu brilho mas não quero holofotes
Quero esse quente corpo no agasalho do meu eu
Mas que química magia no odor dos nossos corpos
Que entrega majestosa na alquimia de nós dois

Vou deixando me levar pois eu roubo tuas carícias
Vou fingindo não querer e querendo sem pudor
Pois amar de qualquer jeito só nos leva aos delírios

Me perdi nos seus braços mas também te fiz refém
Encontrei um novo mundo nesse colo mimador
Dou-te paz tão trigueira quanto o manto que nos cobre


Silvia Dunley     04.07.2012


Uma folha ao vento



Intenso inverno congela meu corpo
Na alma eu trago teu nome quentinho
Sinto essência molhada aos pingos caídos
Reflito ter-te em miragem aos raios cortantes

Meus ombros já um tanto cansados se calam
Meus pés vagantes e rápidos desenham atalhos
Me sinto tal qual uma folha que cega acerta o rumo
Meus olhos um tanto úmidos escondem saudades

Não busco histórias criar, mas a vida artista me fez
Tão pouco não nego que imortalizei um Deus
Que nos invernos da alma teu sol brilhou as cegas

Que acalantei nossos corpos sob leitos arfantes
Aos delírios calores aquecíamos desejos
Que deixamos um legado aos amantes delirantes

Silvia Dunley 24.06.2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012


Eu sei


Que lhe dei calmaria aos oceanos brabos
Barganhei ganhos nos enganos seus
Busquei teus sonhos contidos em mim
Dei-te as nuvens como um abrigo nobre

Também sei que de ti galguei estrelas
Que moldavas o meu rumo com esteio
Conhecia as vontades de um amor faiscado
Lapidava essa dama no mais belo diamante

Que o tempo te levou para um reino tão distante
Que a saudade hoje bate nesse peito bem maior
Que as lembranças são um bálsamo nessa ida incolor

São nas linhas em desalinho que escrevo nossa história
Minha pena também chora o epílogo de nós dois
Dando murros nesse mundo vou buscando te encontrar

Silvia Dunley 22/06/2012



Tela colorida


Improvisei minha vida colorir
Pincelei traços íntimos meus
Dei-te entrega nessa tela vida
Provei teus instintos mágicos

Adornei teu peito aos meus
Cedi milímetros prazeres a ti
Suspirei sim aos pedidos seus
Entreguei-me sem pudor aos deleites

Acalorastes minha alma sob o quente corpo seu
Embriagastes os meus toques ousados úmidos
Exalavas perfumes que entorpeciam meu ar

Deixavas maciez e marcas nesse corpo em chamas
Alucinante
 essa química que nos torna furacão

Que seduz e encanta e nos rouba as razões

Silvia Dunley 20/06/2012

Grito abafado


Erros e mais erros se multiplicando em chacotas
Verdades
abstratas morrendo sem nenhum valor

Querem nadar na corrupção nos reduzindo a zero
Falência de ideais num país onde a fraqueza dorme

Cedemos aos próprios insanos apetites as gulas “verdinhas”
Não quero tapar meus ouvidos e nem tão pouco calar-me
Mais do que tudo a formação de caráter faz do homem a terra
Nossas mãos estão atrofiadas quando erguemos nossa bandeira

Fatos reais que descuidam as almas e queimam o peito
Afinal de contas , o privilégio e o monopólio são tabus
Povo esfomeado pela justiça aos apelos no vácuo mil

É um mal o uso errado que fazem nossos capitalistas
Temos que cumprir com deveres e colhermos os direitos
Que discordem! Atrevo-me a afirmar que gritos estão abafados

Silvia Dunley 18/06/2012

Face oculta


À deriva quando te imagino em meus braços
Mágicos suspiros ciganos lidos na alma
Astúcia ciosa criando dois seres no éden
Desatinos tal qual nesse fogo prazer

Acuidade nobreza ao rumo dos corpos
Trejeitos sonhados acordados na pele
Galopes vibrantes descortinam vontades
Me entrego tão meiga e me fazes selvagem

Cheia de vida que brilha sob os mares soberanos
Sedenta por teus beijos molhados maliciosos
Detida em suas presas sem pressa de alforria

Te liberto desse temor de pecar amando
Delato açoites nascidos aos corpos nus
Entrega sublime dessa amante carente

Silvia Dunley 18/06/2012

Pote de ouro


Guardei seu amor num alabastro de ouro
Borrifava lentamente esse meu ventre airoso
Monologava reverências anuindo suas carícias
Exalava lucidez na mais débil sensação

Tão astuta quanto tola fui rasgando emoções
Te fazia adormecer bem juntinho ao meu corpo
Embalei suas tardes e as noites eram suas
Aprisionei esse amor dentro desse peito dama

Triunfei nessa alcova sob ébano recinto
Facínora moço detinha meus ais
Cedi aos encantos encontros só nossos

                              Perdi-me em ti num achado mulher
                              Te fiz o melhor nessa entrega áurea
                              Criei esse Deus nessa herege entrega

                               Silvia Dunley  14/06/20
12

Voltei


Indecisa fiquei ao avistar novo rumo
Mas voltei com tudo e mochilas na alma
Ergui-me mulher nesse ramalhete voltar
Apertei-me em seus abraços e fiz-me segura

Criei uma deusa nesse mundo amante
Ergui um castelo em nobres vitórias
Ganhei território na tua geografia
Me fiz sua súdita nos íntimos momentos

Voltei ao teu corpo com gana prazer
Arranhei o teu dorso com úmidas fúrias
Criei novo homem nascido na alcova

Me fiz tão mulher na luz que emanas.
Rendi-me de fato ao calor desses corpos
Deitamos em chamas e labaredas ficamos

Silvia Dunley  10/05/2012


Mesmo assim


Nas flores encontrei sua essência em pétalas
Nos pássaros, divinos cantos chamando por mim
Nos rios, límpidas águas em contornos só seus
Nos mares, bravas ondas acariciando meu corpo


Silvia Dunley 10-05-2012

Na sombra da noite


Trigueiro na cor e maroto ao falar
Seu passo malandro me chama de fato
Em gestos sedosos me rouba olhar
Te vejo de um jeito boêmio de ser

Histórias trazidas dos bares da vida
Cervejas e tragos em goles de sede
Saudades borbulham em gotas geladas
Mulheres e jogos vencendo o azar

Trigueiro menino com mais de sessenta
Que encanta e arrisca no meio à viola
Feitiça as damas e corteja as puras

Que traça poesia do peito e da pauta
Simula tristeza ao abrigo biscate
Que leva minha alma aos Arcos da Lapa

Silvia Dunley      25.03.2012

domingo, 6 de maio de 2012


Rumo ao triunfo


Norteei minha bússola à procura de ti
Acolhi nesse peito magenta paixão
Delato açoites adornados n’alma
Cortejo vitórias cobertas de amor      


Nublado homem se torna xamã
Ambíguos erros atrelados aos tropeços
Agreste aos jeitos, trejeitos tão íntimos
Bicolor nossos corpos crepitam prazer


Preciso de fato viver esses fatos
Libertar esse corpo dos grilhões de outrora
Viver essa vida que ouso deter-me


Segurar suas mãos e nas estrelas amar
Deitar-me bem pura e beijar o teu nu
Voar as alturas e pousar nas entranhas


Silvia Dunley    05/05/2012 

Da minha costela


Tomara que eu tenha feito "gente" de verdade
Que agasalhe quem sinta frio na alma e no corpo
Que alimente famintas bocas num prato bem quente
Escute aquele que a vida o fez miserável viver

Ensine sem cena e reparta sua parte sem pena
Que grite bem alto aos podres ouvidos déspotas
Mergulhe em carinhos aos sujos pedintes de amor
Agradeça à Deus o muito que poucos tiveram

Que ergam castelos e muralhas se façam
Ecoem bramidos de feras feridas
Que ondas nos cubram nas praias desnudas

Engasgados mundos enganos se danem
Que prolatem em prol das verdades nascidas
E façam girar um mundo despido de utopias

Silvia Dunley       24/04/2012 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A essência do amor



Colhi com carinho a rosa mais tênue
Guardei seu perfume num raro cristal
Borrifei sua alma com pétalas brancas
Cobri sua áurea em essências divinas

Vesti seus segredos nos campos oásis
Cuidei fielmente desse éden jardim
Busquei o sol mais brilhante de amor
Dei-te tão intenso mar na quebrada maré

Suas noites enluaradas eu as fiz suspirar
Seus desejos escondidos, dei-lhe vida ao amar
Recriei-te para mim na mais bela das pinturas

Docilmente te embalava nesse colo tão carente
Loucamente me entregava nessas mãos arquitetas
Desenhavas nossos corpos entre pétalas e fúrias

Silvia Dunley 18/04/2012 

Mergulho n'alma

Voltei ao passado em lentas passadas
Busquei minha infância em piques e rodas
Deitei-me com frio e aos poucos dormi
Sonhei com bonecas em trapos acolhidas


Mergulhei tão fundo e saudades pesquei
Encontrei histórias e fartos tesouros
Sombreei essa alma com cores bem vivas
Revivi peripécias que o mundo perdeu


Quem dera o tempo pudesse voltar!
Que farra faria com jeito sapeca
Quem sabe ficasse e crescer "nunca mais"


Subir altos muros e carambolas comer
Correr para casa aos gritos mamãe
Deitar em seus braços e dormir em carinhos


Silvia Dunley 18/04/2012 





A nobre arte




Triunfar encantos na arte de amar
Criar lucidez aos magos desejos
Articular esses laços em nós escoteiros
Viver por inteira, pedaços momentos

Ousar-te malícias e roubar-te em carícias
Pisar esse dorso deixando manhosas pegadas
Viver essa arte com rústicos toques meus
Roubar seu libido no encanto prazer

Um não sem fim. Um outro outra vez
Acesa a lareira com nossas pegadas
Atada ao seu corpo, eu peco em fêmea

Sobram escolhas que jorram aos olhos
Cobiçam desordem nos seios da alcova
Douramos essa hora em melodiosas metades

Silvia Dunley  11/04/2012 

Vacilou

Arriba meu pé de coelho!
Traga esse traste pra mim
Errante como cigano, engana
Abatido nessa caça, caçado


Açoitado pela vida, se perde
Castrado pelas mazelas, sem ego
Astuto como raposa, derrapa
Tirano aos sentimentos, se entrega


Triunfo sob seus olhos esse homem coto
Grito aos surdos ouvidos suas escolhas vãs
Ergo o cálice canalha que suplica meu amor


Fui teu ar, dei-te colo e aconchego
Trouxe o sol e as estrelas
Mas seus cacos , os varri


Silvia Dunley 10/04/2012 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Leilão

Bate o martelo e meu peito tem seu preço  
Cruzo meus braços a espera do meu dono
Finjo não saber que essa trama me alucina
Crio áureos momentos para essa conjunção


Sob os lençóis descobrimos nossa sede de amar
Agitam-se corpos suados ao repouso no leito
Ficamos minutos inertes que logo se estende por horas
Encontramos o que buscamos aos desejos de amar


Cavalgando, essa amazona faz galopes atrevidos
Saciando minha fome, eu aguço tua gula
Vamos em poucos minutos ao mundos dos prazeres


Que se estendam noite e dia. Que se façam diferentes
Que me tenhas sem ter pressa. Que esse brilho ilumine
Que esses corpos copulados perpetuem ao infinito  




Silvia Dunley    22.03.2012

Célula mulher

Tem todos os direitos aos deveres nos doídos calos
Cobiça cada degrau desgastado ao topo chegar
Acalenta no seu ventre a dádiva de um ser seu
Entrega pra esse caótico mundo esse bem maior


Chora saudades de casa pois a vida lhe cobra
Dorme acanhada ao leito entre soluços mudos
Rompe seus dias em claro e faz um diário noturno
Cria um Deus feminino e dobra os joelhos em prece


Mulher tão mulher que faz desse mundo oásis
Que pinta verdes cores nesse pisar tão escuro
Que cria coragem e renúncia nesse peito de aço


Que assume tudo e todos nesse preciso viver
Conquista suados gritos em alvos certeiros
Faíscam estrelas erguidas nesse planeta mulher


Silvia Dunley   08.03.2012

Trama de nós

Maquinei nossos enredos em mexericos
Teci tal qual a seda esse pródigo querer
Asilei-me feiticeira, nesse corpo de herói
Atrevi-me tentadora, pecadora e festiva

Aprontei sem punição nessa tensa rendição
Controlei nossa imersão desses corpos entre si
Terminamos realizando esse nosso calendário
Hipnose e acupuntura germinavam ao prazer

Tão acesos ficamos que rastros deixamos
No assoalho refletia esse erétil equestre
Trilhamos então distantes estrelas

Exalamos ociosos duendes amantes
Engate perfeito num espaço só nosso
Mosaico perfeito num mundo amante

Silvia Dunley     13.03.2012

Ais de outono


Noites bem longas, dias mais curtos
Amareladas folhas nos trazem de novo
Frutos fartos e bem mais maduros,
Cobiçam a terra com pompa outono

Saímos da concha ao mundo caímos
Queremos daqui, ilesos sonhar,
Pois já que a vida castiga esse couro
Devaneios então irei conquistar

Que tempos em cantos teremos enfim?
Que grossa armadilha puseram em nós?
Quem cuida daqueles que imperam amor?

Respostas as tenho, mas súplicas virão
Reflito pensar que estamos à mercê
Deixei a muito brinquedos de outono

Silvia Dunley    21.03.2012

Lobo bom

Me confina no seu mundo anjo,
Me chama de “meu amor ",
Desafina esse corpo leve e solto,
Mas alinha sua meiguice de um lobo.

Páreo duro esse hobe de querer-te,
Lado a lado margeando meus instintos,
Que tortura fascinante invadindo pensamentos,
Perco o ar, ganho trancos e te ganho por inteiro.

Tempestades delirantes que não pedem calmarias,
Tremulantes desejos que excitam esses anjos,
Com ação e adrenalina nós ganhamos o Olimpo.

Repousamos na suave umidade animal,
É com arte que esse lobo me cativa mulher,
É sem tempo que te tenho nos prazeres que são seus.

Silvia Dunley. 06.03.2012

domingo, 4 de março de 2012

Cumplicidade


Ah ! Que saudades daqueles verdes claros olhos!
Das suas loucas risadas criadas nas horas tão certas,
Do seu jeito tirano maneiro de ser de ter-me contigo,
Das tardes bem frias em que nossos corpos exalavam calor.

Ah! Por que esse tempo nos fora roubado? Por que?
Faria tudinho do jeito maroto e amoroso só nosso,
Trocaria carícias com ávida intenção de despir-me,
Roçaria essa pele macia nesse corpo suado de macho.

Criaria de novo fantasias que te fizeram ceder,
Faria sentir-se um nobre nessa gostosa envergadura,
Castelos ergueriam na entrega de corpos saciados.

Ganharia o éden tal qual uma venenosa serpente,
Mataria essa fome e saciaria essa sede que rói essa carne,
Degustaria prazer em pequenas porções vividas na cama.

Silvia Dunley 04.03.2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Desnudando-nos

 
Não quero teus holofotes nem tão pouco um solitário.
Chega de tanto burburinho e me deixa te amar de verdade.
Te arranco desse berço e lhe ponho aqui no chão.
Nos rolamos meio insanos ao redor da alcova branca.

Colibri da minha vida não proíba de te amar.
Com a doçura dessa fera que te come como caça nessa raça.
Eu te faço desnudar esse corpo com suaves beijos meus.
Dominamos esses vultos nus que se enroscam pele a pele.

Sua vida é minha vida. Minha bagagem te carrega.
Envolvidos nessa trama, nós dançamos na essência.
Nossa história vai ao vento e retorna em furor.

Acrobática essa estrela que clareia nossos corpos.
Galopamos noite a noite aos gemidos arrepiantes.
Inflamamos essa soma nessa cena nua e bela !

Silvia Dunley 14.02.2012

Meu chão

Sentidas saudades em dias de sol.
Perguntas ao léu e dúvidas mil.
Marejados olhos nesse íntimo ser.
Imagino meu Deus na busca por ti.

Adormeço em preces em busca de paz.
Açoito sua falta nas asas de um anjo.
Aconchego meu corpo nessa cama tão fria.
Revivo passado que reinam presentes

Preciso respostas pra tantas perguntas.
Caduco meu peito que a muito adormece.
Grito teu nome com eco brutal !

São longos caminhos em distintos atalhos.
Momento só meu criados na alma.
Procuro esse chão chamado você.

Silvia Dunley 22-02-2012


Nossa geografia


Trago a lume que uso e abuso ao deitarmos.
Complexo e controverso toda nossa intimidade.
É um terreno movediço na cilada dessa vida.
Admito ousadia pois amar não tem limites.

Fisgada pela habilidade camaleônica de um escorpião,
Seu veneno paralisante e mortal me alucina...
Você entende toda letra da canção e sabe amar a melodia.
Eu me rendo em tuas garras e me deixo fascinar.

Lado a lado, cara a cara, a verdade veio à tona.
Torcemos para um sim mas com um vigoroso agora.
Manifestantes desejos em corpos acalorados.

Verdadeiros predadores cujas veias jorram gozos.
Conquistamos esse ápice nesses ganhos de amantes.
Serenamente deixamos vestígios no calor das emoções.

Silvia Dunley 23-02-2012

Te quero, moço!

Chega de não ditos. Basta de segredos.
Não foi por nada que me penitenciei.
Mas sim por uma causa nobre e rara.
O de querer-te por inteiro a minha metade.


Quero um alento pro meu canto ao vento.
Rasgar transparente véu que cobre meu corpo.
Ditar grandes acolhidas em colos tão quentes.
Deter essa paixão áurea por milhões ou tostões.


Tocar seus grisalhos cabelos em abusos meus.
Beijar essa boca ávida em famintos suspiros.
Deixar seu corpo ferver ao calor de nossos atritos.

                                                                              
Tateio seus pelos com jeito tirana de ser.
Hipnotizo esse moço com gana na cama.
Sensíveis entregas nas úmidas entranhas.


Silvia Dunley 18.02.2012