quarta-feira, 6 de março de 2013

Tudo azul


Entre as estrelas cintilantes brinco em brilhos.
Minha chegada se faz com arcanjos azuis.
Meus pedacinhos celestes se vão comigo.
Nasce então um tiquinho de gente grande.



Vim pra trazer o renascer ao nascer.
Chego com fôlego de um vencedor.
Com garras de um filhote tigre.
Com pompas de belo príncipe.

Prometo romper o silêncio.
Fazer bastante algazarra.
Reinar em abraços amassos.

Que saibam o quanto os amo.
Que há muito beijo seus rostos.
Que agora escrevo em pétalas.

Silvia Dunley     07.09.2012



 

Amor cigano


Corpos revoltos em meio ao transes.

Sedutoras mãos contornam seus lábios.

Orvalho sua pele tal qual essa dança.

Beijo teu dorso em rodas de amantes.

 

Desnudo teu ser na colcha cetim.

Castiçais iluminam alcova ditosa.

Castigo malícias ditadas por nós.

Dançamos prazer nas palmas da mão.

 

São cores tão fortes que faíscam amor.

São preces benditas cantadas da alma.

São castas vontades querendo pecar.

 

Te quero meu moço de um jeito gostoso.

Me entrego senhor com fúria de fêmea.

Te faço meu anjo nesse colo bandido.

 

Silvia Dunley     09.08.2012

Sem ilusões


Do nada apareces e pensas cobiçar-me.

Tua ginga sorrateira já não me faz refém.

Refiz os meus caquinhos num jarro de cristal.

Caminho mais feliz nessa íngreme estrada.

 

Não quero tuas migalhas na troca desse amor.

Sou forte como rocha, pois tenho um peito amigo.

Não vendo sentimentos em troca de arranhões.

Prefiro a solidão, pois não estou à venda.

 

Já não sei as tantas vezes que fugas te levaram.

E de quantas noites e dias esperando por ti.

Sentindo na alma esse homem de gelo.

 

Me fiz de aço onde a ferrugem não me corrói.

Hoje te vejo tal qual uma folha que cai ao chão.

Levado ao vento aos cantos dos desencantos.

 

Silvia Dunley     07.08.2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Amor Boêmio


Sentamos ao banco sob íntimos olhares.

Suas mãos macias tocaram minha pele.

Nossas bocas molhadas detinham prazer.

Aos poucos te vi roubando meus ais.

 

Menino homem, boêmio da vida.

De amores em portos aos cais dos caus.

Que vive da noite e amanhece nos bares.

Se deita nos leitos rifados no peito.

 

Quem cura teus porres das mágoas da alma?

Quem vive esmolando esse amor tão bandido?

Como deter-me num porto inseguro?

 

Não temo as lágrimas, mas sim tantas idas.

O tempo nos leva aos gritos arfantes.

Me entrego tão cega nas sombras das sobras.

 

Silvia Dunley     04.08.2012
 

terça-feira, 2 de outubro de 2012


Alma de poeta


Ele tem a experiência em murmurar
De enfatizar cada palavra em silêncio
Destemido que possam rir de suas linhas
Dos textos nascidos dos devaneios poetas

Cigarros entre os dedos lêem rabiscos seus
Mais um copo de vodca e depois de vinho
Um gesto simples pra ocupar as mãos e os olhos
De alma borbulhante, o poeta respira poesia

Adormece com a pena e flutua em palavras
Descobre o manto que cobre os amantes
Perdoa os casos que ficaram ao acaso

Analisam o mundo de um jeito jocoso
Creditam saudades escritas em rimas
Debulham suas lágrimas em noites de versos


Silvia Dunley     17.07.2012

Violetas pra mim




Tentei pensar em uma canção pra cantar
Um poema para escrever e declamar
Mas todas as palavras estavam presas

Congeladas como pedaços de gelos

Tentei ter os assoalhos do crânio limpos
Com todos os monstrinhos trancados num baú
Detalhei muitas horas as trincheiras cavadas
E desci por escadas estreitas sem corrimões

Ziguezagueando a vida resgatou-me sem pressa
E este coração pulsante não mais quis se calar
Fui aos poucos traçando minha alma por rabiscos

Sei que fiz confidências ao meu bloco de papel
Que desertei das dores pois cansei de guerrear
Que existe um alguém, em algum lugar com violetas pra mim


                                                           Silvia Dunley      02.07.2012


Ninho vazio



O Céu me serve de manto aquecendo-me
Observo a revoada deste meigo beija-flor               
Navego em emoção como bolha de sabão
Entre brilhos de estrelas a piscar acalanto

Não houve tamanho carinho igual ao seu
Não sinto da vida tão avermelhada paixão
Nem bocas úmidas sussurrando belas juras
Que rosas existem e espinhos se calam

Mas o vento sopra forte e meu ninho vem ao chão
Sinto algo diferente nos meus sonhos pertinentes
É um eterno vai e vem a procura de você

Gostaria de sentir arrepios dos lábios beijados
Sem sossego, peço arrego a essa louca paixão
Onde fomos um só corpo ao compasso amar

Silvia Dunley     28.06.2012

Magia pura


Que feitiço tão voraz tu fizestes para mim
Conto as horas e os minutos pra ouvir sua voz
Me entrego por inteira mas eu volto aos pedaços

Minhas carnes tremulantes marcam horas decisivas

Já não vivo sem teu brilho mas não quero holofotes
Quero esse quente corpo no agasalho do meu eu
Mas que química magia no odor dos nossos corpos
Que entrega majestosa na alquimia de nós dois

Vou deixando me levar pois eu roubo tuas carícias
Vou fingindo não querer e querendo sem pudor
Pois amar de qualquer jeito só nos leva aos delírios

Me perdi nos seus braços mas também te fiz refém
Encontrei um novo mundo nesse colo mimador
Dou-te paz tão trigueira quanto o manto que nos cobre


Silvia Dunley     04.07.2012