quinta-feira, 23 de junho de 2011

Boêmio



Vivem na noite em bares antigos,
Frequentam as casas de conveniências,
Vida de agito, farra e de muitas inspirações,
Erguendo nas mãos uma gelada cerveja.

Aventureiro, o boêmio vive a vida solitário,
Compondo sempre a essência de um show,
Ama o novo, o diferente e sempre se renova,
Faminto do desconhecido e do exótico.

Ele é um grande artista! Faz com arte sua arte,
Cria a sua própria história e se torna imortal,
Sua cultura idealista se transforma em anarquista.

Nessa mesa de amigos, cada qual voa mais alto,
Se tornando presas fáceis, pois a vida não perdoa.
Pra safar dessas mazelas, o boêmio toma Boêmia.

Silvia Dunley,    23.06.2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Fibra sertaneja

Surgem então folhas secas. Toda terra fragmenta,

A colheita foi pro brejo, não se tem o tempo certo.
Quando chega a fina chuva, vem trazendo tempestades.
Sertanejo agradece pelo milho e o feijão.

O matuto faz a prosa, mas a vida se proseia,
Vê e vive essa luta com tamanha artimanha.
Sabiá procura abrigo na viola desse canto.
Bem na beira de um riacho, ele espera a bonança.

Pisa firme esse caboclo nesse solo duro e seco,
Traz consigo essa força que alavanca seu viver,
Vê de longe um tempo negro, mas entoa um pedido.

Geografia desumana onde só vislumbra o árido.
Sem ter água, plantações e melhoras de futuro,
Ele encarna na pele e no osso, um eterno sertanejo.

Silvia Dunley.    15.06.20011.

Gostaria de

Cessar teu calar com serenos afagos.
Tocar tua face com úmidos lábios.
Roçar-me sem pressa nos braços amassos.
Cruzar minhas mãos em hábeis carinhos.

Sentir teu odor nas vestes que visto.
Fazer contra-mão ,neste homem turrão.
Correr em tuas veias, a espera do resto.
Viver sem pressa neste apego chamego.

Furtados prazeres com nossas conquistas.
Mágicos momentos vividos e despidos.
Jurados em corpos, volúpias carnais.

Criamos segredos contidos no êxtase.
Violamos as regras no luxo selvagem.
Bebemos sedentos os deleites finais.

Silvia Dunley 03.05.2011

Falando sério

Fui sequestrada. Apaixonei-me perdidamente.
 Seu jeitinho de falar ao pé do meu ouvido,arrepia-me.
 Lentamente me agito com o toque dos seus lábios.
 O doce mel de um beijo apimentado. E como !

 Aprisionada sem ter medo, sem ter pressa.
 Pertinho de um sequestrador ,me sentia protegida.
 Fui aos poucos descobrindo de qual mal sofria,
 E então deparei-me com a Síndrome de Estocolmo.
  
Nada pude evitar e tão pouco, não queria.
 Entreguei-me por inteira para um homem cativante.
 Eu fui pega. Sem correntes, sem prisões.

Nesse quarto escurinho, onde vivo encarcerada,
Eu procuro nos minutos, muitas horas de pavor.
E te digo meu amor, só nos temos por prazer.

Silvia Dunley. 09.06.2011.

Cadê você?



Diga-me moço, como te achar?
Caminhadas longas, procuras incertas,
Obscuras estradas e muitos atalhos,
Pisadas doídas em solo de pedras.

Vi o sol se pôr, vi o luar encabular,
Ao topo subi, ao acaso não dei caso.
Fui ao encontro do encanto, nessa febre de te amar.
Descobri essa força, recupero as vitórias.

Eu te achei bem no fundo do meu eu!
Quietinho, escondido parecias assustado,
Andarilho desta vida, não pousa nem repousa.

Um tantão de carinhos por um tantinho de minutos.
Não apague essa luz, eu preciso que me enxergues,
Jogue fora suas histórias, mas me tenhas no rascunho.

Silvia Dunley,     10/04/2010

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A arte de amar




Aqueço tua alma nas horas mais frias,
Cavalgo teu corpo com pompa amazona,
Sacio tua sede com beijos em vinhos,
Detento tua fúria em suaves carinhos.

Afago esse peito com boas malícias,
Desnudo vontades de um homem machista,
Fisgo esse moço perdido na carne,
Freio seus ímpetos com força e coragem.

Busco seu cheiro na pele que queima,
Perco os sentidos nos vôos que fazemos,
Surgem magias deixadas em nós.

Agrido com arte esse corpo tão másculo,
Descobres em mim detalhes mais íntimos,
Atritam-se os corpos cobertos de amor.


Silvia Dunley 16.05.2011



segunda-feira, 9 de maio de 2011

A outra metade


Reclinei minha cabeça sob a dor que atormentava,
São saudades de você que furtavam minha alma.
Tu voastes para as estrelas e contigo, minha essência.
Hoje piso vagarosa, sem ter pressa, sem ter hora.
                                                                                                 
Minha face se desfaz, mas contenho minhas lágrimas,
Nem a cor não é mais púrpura, é apenas acinzentada.
Sobrevivo ao flagelo de uma ausência tão presente,
Tu roubastes a minha paz e sequestrastes as alegrias.

Toda flor me lembra a ti, todo verso me transporta.
Eu te tenho nas manhãs e adormeço em teus braços,
Esse amor eternizou-se quando Deus te raptou.

À deriva eu fiquei e perdi-me nessa busca.
Nesse solo sem firmeza, meu caminho descaminha,
Como posso ainda estar viva, se morri junto contigo?!

Silvia Dunley,    09/05/2011 

Em suas mãos

Teu calar  fere a alma. Mil caquinhos se espalham,
Chegadas com partidas. Começos com tropeços.
Encontrei teu esconderijo. São fantasmas de um fraco.
É uma faca de dois gumes! Eu estou em suas mãos.

Seu reflexo distorcido, mil imagens odiadas.
Eis um astro apagado. Sorumbático viver.
Um acerto entre erros. Teu caminho , uma cilada.
Tentativas todas. Tu duvidas deste amor.

Íntimo tímido. Você berra em sussurros.
Permita-me te amar. Oculto seus receios.
Te afago, te acalmo.Te embalo nesse embalo.

Tantos gritos de prazer. Essas chamas reacendem.
Sequiosos com pudor, nossa entrega não dá trégua.
Devagar nos descobrimos, o sabor de nossos corpos.

Silvia Dunley,    31-01-2011