sexta-feira, 22 de junho de 2012

Na sombra da noite


Trigueiro na cor e maroto ao falar
Seu passo malandro me chama de fato
Em gestos sedosos me rouba olhar
Te vejo de um jeito boêmio de ser

Histórias trazidas dos bares da vida
Cervejas e tragos em goles de sede
Saudades borbulham em gotas geladas
Mulheres e jogos vencendo o azar

Trigueiro menino com mais de sessenta
Que encanta e arrisca no meio à viola
Feitiça as damas e corteja as puras

Que traça poesia do peito e da pauta
Simula tristeza ao abrigo biscate
Que leva minha alma aos Arcos da Lapa

Silvia Dunley      25.03.2012

domingo, 6 de maio de 2012


Rumo ao triunfo


Norteei minha bússola à procura de ti
Acolhi nesse peito magenta paixão
Delato açoites adornados n’alma
Cortejo vitórias cobertas de amor      


Nublado homem se torna xamã
Ambíguos erros atrelados aos tropeços
Agreste aos jeitos, trejeitos tão íntimos
Bicolor nossos corpos crepitam prazer


Preciso de fato viver esses fatos
Libertar esse corpo dos grilhões de outrora
Viver essa vida que ouso deter-me


Segurar suas mãos e nas estrelas amar
Deitar-me bem pura e beijar o teu nu
Voar as alturas e pousar nas entranhas


Silvia Dunley    05/05/2012 

Da minha costela


Tomara que eu tenha feito "gente" de verdade
Que agasalhe quem sinta frio na alma e no corpo
Que alimente famintas bocas num prato bem quente
Escute aquele que a vida o fez miserável viver

Ensine sem cena e reparta sua parte sem pena
Que grite bem alto aos podres ouvidos déspotas
Mergulhe em carinhos aos sujos pedintes de amor
Agradeça à Deus o muito que poucos tiveram

Que ergam castelos e muralhas se façam
Ecoem bramidos de feras feridas
Que ondas nos cubram nas praias desnudas

Engasgados mundos enganos se danem
Que prolatem em prol das verdades nascidas
E façam girar um mundo despido de utopias

Silvia Dunley       24/04/2012 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A essência do amor



Colhi com carinho a rosa mais tênue
Guardei seu perfume num raro cristal
Borrifei sua alma com pétalas brancas
Cobri sua áurea em essências divinas

Vesti seus segredos nos campos oásis
Cuidei fielmente desse éden jardim
Busquei o sol mais brilhante de amor
Dei-te tão intenso mar na quebrada maré

Suas noites enluaradas eu as fiz suspirar
Seus desejos escondidos, dei-lhe vida ao amar
Recriei-te para mim na mais bela das pinturas

Docilmente te embalava nesse colo tão carente
Loucamente me entregava nessas mãos arquitetas
Desenhavas nossos corpos entre pétalas e fúrias

Silvia Dunley 18/04/2012 

Mergulho n'alma

Voltei ao passado em lentas passadas
Busquei minha infância em piques e rodas
Deitei-me com frio e aos poucos dormi
Sonhei com bonecas em trapos acolhidas


Mergulhei tão fundo e saudades pesquei
Encontrei histórias e fartos tesouros
Sombreei essa alma com cores bem vivas
Revivi peripécias que o mundo perdeu


Quem dera o tempo pudesse voltar!
Que farra faria com jeito sapeca
Quem sabe ficasse e crescer "nunca mais"


Subir altos muros e carambolas comer
Correr para casa aos gritos mamãe
Deitar em seus braços e dormir em carinhos


Silvia Dunley 18/04/2012 





A nobre arte




Triunfar encantos na arte de amar
Criar lucidez aos magos desejos
Articular esses laços em nós escoteiros
Viver por inteira, pedaços momentos

Ousar-te malícias e roubar-te em carícias
Pisar esse dorso deixando manhosas pegadas
Viver essa arte com rústicos toques meus
Roubar seu libido no encanto prazer

Um não sem fim. Um outro outra vez
Acesa a lareira com nossas pegadas
Atada ao seu corpo, eu peco em fêmea

Sobram escolhas que jorram aos olhos
Cobiçam desordem nos seios da alcova
Douramos essa hora em melodiosas metades

Silvia Dunley  11/04/2012 

Vacilou

Arriba meu pé de coelho!
Traga esse traste pra mim
Errante como cigano, engana
Abatido nessa caça, caçado


Açoitado pela vida, se perde
Castrado pelas mazelas, sem ego
Astuto como raposa, derrapa
Tirano aos sentimentos, se entrega


Triunfo sob seus olhos esse homem coto
Grito aos surdos ouvidos suas escolhas vãs
Ergo o cálice canalha que suplica meu amor


Fui teu ar, dei-te colo e aconchego
Trouxe o sol e as estrelas
Mas seus cacos , os varri


Silvia Dunley 10/04/2012