terça-feira, 13 de setembro de 2011

Moço danado

Deitar-me nos sonhos vividos por nós.              
Acordar seus anseios com meus devaneios,
Sombrear este homem com minha miragem.
Arranhar o seu dorso com tantas carícias.

Cair em seus braços com fortes odores,
Saciarmos a vontade de sermos um só.
Roçar nesse corpo gotículas de amor,
Tremer as vontades com grandes abalos.

Pudesse voar até o ínfimo prazer,
Criar brincadeiras nos banhos afagos.
Morder-te sem pressa de um jeito “abessa”.

Menino maroto de um tempo vivido,
Cabelos grisalhos que apelam meus “ais”,
Sacudo teu tempo, te faço viril.

Silvia Dunley,   09/09/2011




Vício x Amor

Afagos arfantes, carícias borbulham.
Penumbra esse vício que sinto por ti.

Tateio tua sombra com a ponta dos dedos,
Descubro tua alma com posse de nobre.

Atiço olhares viçosos, famintos,
Sugo sedenta a cada ousadia.
Precisa essa entrega que envolve desejos.
Encontro essa força chamada paixão.

Caminhos bem longos nos levam ao ápice.
Perdi-me de vez. Não sei e nem quero voltar.
Me entrego sem trégua, sem tempo no mundo.

Me enrosco em seus braços amassos.
Deu-me paz, os sonhos e ganhos,
Fez-me sua, muito fêmea e bem amada.

Silvia Dunley     31/08/2011

Nossa paixão

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Em vão


Tentei te esquecer. . .  Mas que nada!

Procurei tantas fugas. Fora inútil.
Ocultei meus anseios. Que bobagem.
Caminhei em pedaços. Só doía.

Violentei-me consciente. Que maldade!
Fiz-me forte como a rocha. Eu roí.
Eu briguei com minha alma. Muito mal.
Quase fui a nocaute. Que loucura!

Não parei pra perceber o tamanho das feridas.
Escondia-me do mundo, maltratava meu pisar.
Tropecei tantas vezes que enfim, acordei.

Moço sábio, quase um Deus, tu roubastes meu viver.
Bem mansinho, na surdina, tu moldavas uma Deusa.
Mas agora te pergunto: Como chego ao Olimpo?

Silvia Dunley,    03.08.2011

domingo, 17 de julho de 2011

Fragmentos de amor

Contornar úmidos lábios na ponta dos dedos,
Sentir teu odor nas vestes que visto.
Íntimo tímido. Você berra em sussurros,
Bebemos sedentos os deleites finais.

Mas temos todo o tempo do mundo, e como!
Que paixão desenfreada, tentadora e consciente,
Tempo apressado, buscas constantes,
Criamos dois deuses de puro prazer.

Tens o leme desse barco, tens o dote dessa dama,
Sua língua bem felina faz contorno no meu corpo,
Purifica o meu corpo, alicia meu pecado.

Entrego-me nesse vício chamado você,
O amor mais puro se estendeu na penumbra.
Bem melhor que seja assim, pois jamais terá um fim.

Silvia Dunley, 02/07/2011

Na Pele

Desperto essa sede, sacio aos goles,
Te faço sonhar num mundo tão íntimo.
Intocável, mas irrequieto, tu és o meu anjo,
Fagulhas acendem nos corpos em brasa.

Disserto espojada, a garra de fêmea,
Tudo começa num grande silêncio,
Aos poucos ousamos gemidos de amor.
Na pele sentimos um imenso calor.

Me viro de um jeito pedindo seus beijos,
Procuro em suas mãos um toque de macho,
Sussurro aos gritos vontades contidas.

Desperto em ti malícias divinas,
Eu peço os sins com fome de ti.
Me fazes mulher neste corpo carente.

Silvia Dunley    16.07.2011

Retrato Falado



Fortaleza erguida nos tombos da vida.                          
Ser pluralista num mundo tão ímpar,
Força constante no universo machista.

Vida crescente nas curvas elípticas,
Sorriso escondidos nos escombros chorosos,
Conquistas tremulam no topo do monte.
O vento balança, a mulher o desafia.

Seguro bem firme um pedaço de mim,
Reflito ao espelho, como posso e consigo ?
Bato em meu peito com brio de fêmea !

Quem disse que somos tão frágeis assim ?
Quem sabe vocês do íntimo mulher ?
Quem ousa dizer que nascemos da costela de um homem ?

Silvia Dunley,          16/07/2011  

domingo, 3 de julho de 2011

Breve retorno

Retorna esse moço bastante sofrido,
Ocultando na face mágoas passadas.
Sorrio pra ele e nada pergunto,
Toco sua barba, já bem mais branquinha!

Caminho suas rugas que o fazem mais velho,
Procuro esse homem ainda menino.
Mato a saudade que vive em nós,
Mato vontades que sopram esses ventos.

Por que tantas vindas ao meu porto-mulher?
Lá fora se vê perdido em seu rumo,
Se rende, se vende, se joga pra mim.

Momentos só nossos, nos fazem arfar.
Rende-se a mim de um jeito criança,
Faço esse homem dosar esse corpo.

Silvia Dunley 03.07.2011