quarta-feira, 6 de março de 2013

Eu e você


Provoco calor nesse corpo mulher.

Atiço minha gula na sede querer.

Fatio vontades molhadas em mim.

Acendo um fogo ao sopro prazer.

 

Alimentas tua fome em potes de mel.

Sacia tua sede em águas tão puras

Adormeço esse Deus nesse colo ninfa.

Atrevo ser tua até do avesso.

 

Que se deleite e aceite.

Tão nua. Tão tua.

Tão meu. Tão nós.

 

Que se danem os danos.

Que se calem as línguas.

Que sejamos um só corpo.

 

Silvia Dunley     23.08.2012

Toques amantes


Te encontrei no reflexo do meu eu.

Aveludei minhas mãos aos anseios.

Vaguei em fantasias coloridas.

Cavalguei imponente e destemida.

 

Arranquei teus suspiros arfantes.

Colhi teus açoites desejos em mim.

Refiz caminhos ao éden em chamas.

Busquei teu dorso em ósculos picantes.

 

Te amei com pegadas de loba.

Te fiz ser tirano ao doce prazer.

Alimentei seus vícios famintos.

 

Acalmei nossos cantos belos.

Embaralhei venenos dosados.

Amamos ousados na relva.

 

Silvia Dunley     28.08.2012

Fogo e fumaça


Rabisquei seu nome na cor da paixão.

Usei do batom o tom mais abrasante.

Refletiu ao espelho desejos ardentes.

Roubei a cena tal qual mecenas.

 

Ardilosa mulher te quis como bárbaro.

Saqueei teus segredos e me fiz refém.

Copulamos vontades em corpos febris.

Tatuamos na pele o cheiro suor.

 

Deleites deixados em nossas alcovas.

Brincadeiras íntimas acolhidas em rosas.

Perfumes borrifam com gana de ganhos.

 

Precisos momentos criados por nós.

Indecisos encontros vibrantes por volta.

Incandescentes corpos pulsando prazer.

 

Silvia Dunley     06.09.2012

Meus sais


Que paixão desenfreada e tentadora.

Onde tudo se permite ao odor inebriante.

Seduz meu pudor na cobiça dos meus ais.

Combato esse homem faminto em prazer.

 

Eu me entrego nessa cama fofa e úmida.

Tu despertas meu dormir e abafas meu falar.

Arrepia nossos corpos e furtiva nossa alma.

Entorpece alquimia ao prazer de se entregar.

 

Um duelo sem derrotas, impulso racional.

Lábios molhados ousando carícias nossas.

Toques macios aos deleites dourados.

 

Cativa-me por inteira nesse dote dama.

Purifica meu corpo e alicia meu pecado.

Bebemos sedentos segredos selvagens.

 

Silvia Dunley     18.09.2012

Deusa primavera



Pisando mansinho, ela arrebata aplausos.

Trazendo finos perfumes colorindo pisar.

Semeando paixões nos jardins corações.

Pintando sedução com flores tão belas.

 

Roubando olhares de machos e fêmeas.

Criando poesias aos súditos amantes.

Vestida em sedas tal quais violetas.

Nascidas nas pedras chorando amor.

 

Tão nobre dama nos clama por mimos.

Seus sinos badalam novos amores.

A relva acalenta casais primaveras.

 

O mundo se deixa aos marcantes toques.

Vivemos momentos como damas da noite.

Aliciamos pecados aos espinhos da alma.

 

Silvia Dunley     20.09.2012

Denuncio


Açoite meus pedidos detidos.

Abnegue seus medos contidos.

Oferte assombros bizarros.

Exale frescor desse corpo.

 

Triunfe com rumo astuto.

Adorne esse peito meu.

Profetize utopias de amor.

Desatine íntimos desejos.

 

Afidalga essa serva servida.

Coaja essa moça tirana.

Acalme esse corpo calor.

 

Alimente essa fera faminta.

Acigane tal qual um errante.

Suspire borbulhas prazer.

 

Silvia Dunley     05.10.2012

Almas desenhadas


 
Sinto sim como é grande essa saudade.

Clamo muito sua essência desenhada.

Crio um mundo altruísta deste artista.

Vivo o agora vagamente no amanhã.

 

Quem te disse que perdi o meu pisar?

Que aplaudi minhas lágrimas amantes.

Que sufoquei esse peito lembranças.

Que tantas e tantas teu nome chamei.

 

Muitos ganhos, poucas perdas.

Meu viver silenciou.

Meu gritar emudeceu.

 

Eu te amo além das nuvens.

Eu te vejo imortal.

Tua ausência me ilumina.

 

Silvia Dunley     18.10.2012

Num só corpo


 
Meus olhos tentam te ver.

Meus braços procuram afagos.

Te acertei na curva da vida.

Te rendi na relva molhada.

 

Tiramos as pedras do limo.

Calamos as bocas abutres.

Galgamos em cumes dourados.

Fizemos tamanha algazarra.

 

Reciclamos toda nossa geografia.

Sacudimos emoções calorosas.

Amamos de um pouco ao muito.

 

Desenhamos melados beijos.

Criamos rubros desejos.

Fizemos fusão diamantes.

 

Silvia Dunley     31.10.2012

Meu solitário

 

Preciso de certezas. Caminhos firmes.

Lágrimas se fazem nessa alma doída.

Rogo ao senhor bonança e coragem.

A fé eu as tenho entre solitários meus.

 

Dobrei as esquinas escuras da vida.

Galguei ao cume em apelos áureos.

Deitei-me no leito em pedras ao limo.

Criei novo mundo roído por ratos.

 

Sufoquei esse pranto aos prantos.

Bebi goles e tragos em dias tão negros.

Colhi belas rosas com profundos espinhos.

 

Sentei-me por instantes diante do mundo.

Fitei esse enigma clamando justiça.

Muito hei de aprender bater uma vez nessa vida.

 

Silvia Dunley     15.11.2012