quarta-feira, 6 de março de 2013

Num só corpo


 
Meus olhos tentam te ver.

Meus braços procuram afagos.

Te acertei na curva da vida.

Te rendi na relva molhada.

 

Tiramos as pedras do limo.

Calamos as bocas abutres.

Galgamos em cumes dourados.

Fizemos tamanha algazarra.

 

Reciclamos toda nossa geografia.

Sacudimos emoções calorosas.

Amamos de um pouco ao muito.

 

Desenhamos melados beijos.

Criamos rubros desejos.

Fizemos fusão diamantes.

 

Silvia Dunley     31.10.2012

Meu solitário

 

Preciso de certezas. Caminhos firmes.

Lágrimas se fazem nessa alma doída.

Rogo ao senhor bonança e coragem.

A fé eu as tenho entre solitários meus.

 

Dobrei as esquinas escuras da vida.

Galguei ao cume em apelos áureos.

Deitei-me no leito em pedras ao limo.

Criei novo mundo roído por ratos.

 

Sufoquei esse pranto aos prantos.

Bebi goles e tragos em dias tão negros.

Colhi belas rosas com profundos espinhos.

 

Sentei-me por instantes diante do mundo.

Fitei esse enigma clamando justiça.

Muito hei de aprender bater uma vez nessa vida.

 

Silvia Dunley     15.11.2012

Estava escrito


 
Entre tantos desencontros nós achamos sintonia.

Nossas mãos firmes e ousadas deslizavam carícias

Nossos impulsos guardavam segredos delirantes.

Nossas horas se estendiam aos anseios cobiçados.

 

Eu cheguei pra te querer e te fiz o meu melhor.

Eu deitei sem deter-me e lhe dei o meu prazer.

Tu cobrias o meu nu com teu corpo umedecido.

Tu arrancavas meus suspiros com astúcia soberana.

 

Nossos corpos se fundiam nessa sede de amar.

Fomos aos poucos conhecendo essa troca valorosa.

Aos encantos da alcova nossos corpos murmuravam.

 

Nossos banhos desenhavam dois amantes incandescentes.

Quantas noites, quantos dias envolvidos por dois deuses.

Que caçada tão precisa que nos fez eternizar.

 

Silvia Dunley     22.11.2012

 

Por muitos sorrisos



Caminho firme em pisadas duras.

Abraço esse eco que grita por ti.

Desnudo sorrisos contidos em mim.

Procuro esquecer quem nunca se foi.

 

As noites enfeitam lágrimas sentidas.

Os dias iluminam as noites escuras.

Eu busco bem fundo o ar pra viver.

Ou talvez sobreviva tal qual um fantoche.

 

Reduzi ilusões levadas ao vento.

Conduzi magias sorrindo na dor.

Colori rubra saudade cinzenta.

 

Naveguei aos mares verdes verdades.

Atraquei ao cais solidão cristalina.

Construí castelos em lágrimas minhas.

 

Silvia Dunley     22.11.2012

 

Acerto de alma


Busquei no infinito teu rosto tocar.

Colhi das rosas perfumes você.

Escrevi teu nome na areia da alma.

Encontrei nos pássaros teu voo revolto.

 

Quantos enganos cometidos.

Quantos impulsos cedidos.

Quantas renúncias por ti.

Quantas dúvidas vividas.

 

Amei muito mais do que devia.

Calei minha voz tão abafada.

Criei um algoz por um triz.

 

Deitei-me sóbria as migalhas suas.

Fiz-me fêmea ao faminto senhor.

Hoje dou-te adeus aos sedentos ais.

 

Silvia Dunley     01.11.2012

Tudo azul


Entre as estrelas cintilantes brinco em brilhos.
Minha chegada se faz com arcanjos azuis.
Meus pedacinhos celestes se vão comigo.
Nasce então um tiquinho de gente grande.



Vim pra trazer o renascer ao nascer.
Chego com fôlego de um vencedor.
Com garras de um filhote tigre.
Com pompas de belo príncipe.

Prometo romper o silêncio.
Fazer bastante algazarra.
Reinar em abraços amassos.

Que saibam o quanto os amo.
Que há muito beijo seus rostos.
Que agora escrevo em pétalas.

Silvia Dunley     07.09.2012



 

Amor cigano


Corpos revoltos em meio ao transes.

Sedutoras mãos contornam seus lábios.

Orvalho sua pele tal qual essa dança.

Beijo teu dorso em rodas de amantes.

 

Desnudo teu ser na colcha cetim.

Castiçais iluminam alcova ditosa.

Castigo malícias ditadas por nós.

Dançamos prazer nas palmas da mão.

 

São cores tão fortes que faíscam amor.

São preces benditas cantadas da alma.

São castas vontades querendo pecar.

 

Te quero meu moço de um jeito gostoso.

Me entrego senhor com fúria de fêmea.

Te faço meu anjo nesse colo bandido.

 

Silvia Dunley     09.08.2012

Sem ilusões


Do nada apareces e pensas cobiçar-me.

Tua ginga sorrateira já não me faz refém.

Refiz os meus caquinhos num jarro de cristal.

Caminho mais feliz nessa íngreme estrada.

 

Não quero tuas migalhas na troca desse amor.

Sou forte como rocha, pois tenho um peito amigo.

Não vendo sentimentos em troca de arranhões.

Prefiro a solidão, pois não estou à venda.

 

Já não sei as tantas vezes que fugas te levaram.

E de quantas noites e dias esperando por ti.

Sentindo na alma esse homem de gelo.

 

Me fiz de aço onde a ferrugem não me corrói.

Hoje te vejo tal qual uma folha que cai ao chão.

Levado ao vento aos cantos dos desencantos.

 

Silvia Dunley     07.08.2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Amor Boêmio


Sentamos ao banco sob íntimos olhares.

Suas mãos macias tocaram minha pele.

Nossas bocas molhadas detinham prazer.

Aos poucos te vi roubando meus ais.

 

Menino homem, boêmio da vida.

De amores em portos aos cais dos caus.

Que vive da noite e amanhece nos bares.

Se deita nos leitos rifados no peito.

 

Quem cura teus porres das mágoas da alma?

Quem vive esmolando esse amor tão bandido?

Como deter-me num porto inseguro?

 

Não temo as lágrimas, mas sim tantas idas.

O tempo nos leva aos gritos arfantes.

Me entrego tão cega nas sombras das sobras.

 

Silvia Dunley     04.08.2012