quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Indulto Natal

Desci as escadas, mas também cheguei ao sótão,
Trilhei passadas gastas onde só havia espinhos,
A vida fez-me refém dos meus próprios momentos,
Aos poucos fui atirando o véu ao vento arfante.       
Enxerguei no escuro grandes monstros famintos,
Colhi belas rosas sem receio de perder tanto medo,
Busquei-te no fundo mais fundo de um poço sem água,
Bebi minha sede num vôo condor com pompa rapina.

Criei meus castelos no meu íntimo pensar,
Não havia janelas nem tão pouco, masmorras,
Asas nasceram e fiz-me liberta de tantos ‘monstrinhos’.


Da fúria do mar e dos ventos odiosos,
Do meigo beija-flor ao temido leopardo,
Fiz-me tão forte que criei asas e voei ao Senhor.

                                          Silvia Dunley     21.12.2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Me adote

Meu vício é te amar, te querer sem ter posses,
Sentir sua pele macia tatuada com meu nome,
Tocar sua boca carnuda com dedos bem afinados,
Roçar meu corpo ao seu, fazendo a cama macia.

Gritar seu nome sem medo e ouvi-lo no Everest,
Reter as línguas felinas com fome de críticas vãs,
Abrir seus úmidos olhos e sentir seu corpo tão quente!
Criar travessos desejos, te lambuzando um bocado!

Menino fagueiro, faceiro, levado da breca,
Me tens sem pudor , me fazes mulher,
Me adote, me tenhas do jeito do avesso.

Desperto nesse velho moço, a vontade de amar,
Liberto suas magias que me levam ao prazer,
Aprisiono esse corpo suado entre minhas entranhas suas.

Silvia Dunley      20.12.2011


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Bon Jovi - It's My Life (Live in Rock In Rio Madrid 2010)

Sou teu anjo

Tanto temor ao me amar.Tantas vontades contidas.
Receios de uma nova paixão rasgando esse peito vivido.
Meus gritos ecoam sentidos que te façam ser grande.
Minhas mãos procuram somar dois corpos em um.


Te quero com tanto desejo que me tornei o teu anjo.
Preciso cair em seus braços e te fazer um feudal.
Despir-me em suaves carinhos e bailarmos os ais.
Sentir-me então sua dona e caçar-te com fome leoa.


Voaria além das nuvens pra ceder-te essa sede.
Calaria esse corpo conquistando suas vontades.
Degustava cada impulso com a arte de menina.


Sou seu anjo de verdade mas também uma capeta.
Certamente farias conhecer-me de verdade .
Com carinho acetinado ou loucuras apimentadas, me daria.


Silvia Dunley    03. 12 . 2011

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Seu vôo

Entre trancos e barrancos , conheci um novo mundo.
Éramos dois em um só. Eu perdi minha metade.
Caminhei entre soluços e aos poucos, me erguia.
Fui guerreira, destemida e trilhei novas passadas.

Tenho todas as saudades que se brotam dos meus olhos.
São lembranças que avultam, te trazendo para mim.
Novamente eu repriso esse amor que foi aos céus.
Nossa história colorida foi parar nas mãos de Deus.

Como faço meu senhor pra viver sem esse homem?
Procurando uma resposta, negativo meu viver.
Nessa perda tão doída, me tornei uma bandida.

Sou aquela que se brota entre todas as saudades.
Hoje, fria e calculista, vivo um tempo sem ter tempo.
Como posso ainda estar viva, se morri naquele dia?!

Silvia Dunley,      19.11.2011

Me permita

Quem dera pudesse, beijar-te com arte,
Rasgar tuas vestes ousando minhas mãos,
Despir-me menina e fêmea vestir-me,
Trocar fantasias que permitam ousar.

Colher nossos toques num sonho real,
Cobrir o seu dorso com seios sedosos,
Roubar o seu íntimo na úmida alcova,
Caçar esse macho que cheira prazer.

Desvios faria nas entranhas famintas,
Seriam delírios nascidos por nós,
Dois corpos criados com tamanho encanto.

Queria ser mágica para levitar-me em ti.
Louca também para matar-te em prazer,
Secar tua pele com lábios molhados.

Silvia Dunley,          28.11.2011